Que grande valor devo dar à meditação do Batismo do Senhor. Em 2012 sua Festa litúrgica caiu no dia 9 de Janeiro no calendário do Rito Novo seguido no Brasil. Embora eu esteja um pouco atrasado ao escrever a este respeito (hoje já é dia 10), não posso deixar de anotar alguns pontos importantes sobre esta data.
No Ofício das Leituras desta Festa a segunda leitura é de um sermão de São Gregório de Nazianzo. Entre tantas belezas e aspectos importantes que eu provavelmente não saberia chegar a comentar, vejo diversas imagens.
Primeiro, naturalmente, a pomba, forma sob a qual manifestou-se o Espírito Santo naquele acontecimento. São Gregório nos lembra que também o anúncio do fim do Dilúvio teve o ingresso de uma pomba.
Segundo, três pares de imagens que contrastam (mas também unem) São João Batista e Nosso Senhor Jesus Cristo: a lâmpada e o Sol, a voz e a Palavra (o Verbo), o amigo e o Esposo.
Nos dias anteriores a esta Festa o Ofício das Leituras inclui outros textos que falam sobre o Espírito Santo e sobre o Batismo de Jesus. Na Liturgia do dia 11 de Janeiro (ou Sexta-feira depois do Domingo da Epifania), é de São Máximo de Turim o que lemos. Ele explica que celebramos o Batismo de Jesus pouco depois do Natal porque ambos os eventos ocorreram na mesma época, com diferença de anos. Também o dia do Batismo, segundo São Máximo, deveria ter o nome de Natal, porque também nele Cristo nasce:
No dia do Natal, Cristo nasceu entre os homens; hoje nasce pelos sinais sagrados; naquele dia, nasceu da Virgem; hoje é gerado pelos sinais do céu.
Na Hora Terça da Festa do Batismo, a leitura breve que se toma de Is 11, 1-3a precede um versículo dos mais breves e eloqüentes possíveis:
V. Ele deve crescer.
R. E eu diminuir.
São João Batista anuncia que sua própria pessoa deve diminuir, enquanto cresce a do Messias, lição de humildade que me parece perigosa de se considerar concluída, necessitando de prática constante e incansável, apesar de tão difícil. Não deixo, ainda, nunca, de me lembrar da simbologia inscrita nas datas de nascimento de São João Batista e de Nosso Senhor Jesus Cristo, considerando o Hemisfério Norte da Terra: o Precursor nasceu no fim de Junho, próximo ao solstício de Verão, quando o Sol chegou ao ápice e começa a diminuir (“eu devo diminuir”); o Messias nasceu no fim de Dezembro, próximo ao solstício de Inverno, quando o Sol chegou ao seu ponto mais baixo e começa a crescer (“Ele deve crescer”).
Que interessante meditação ^^
Agora quando recitar o Primeiro Mistério Luminoso do Santo Rosário vou procurar pensar assim =D