Entre tantas coisas boas que ganhei com a internet, e entre as coisas ruins que ganhei com a internet, existem as coisas que ainda não sei se são boas ou ruins; que em alguns momentos achei boas, e depois achei más, alternadamente ótimas ou péssimas, e às vezes as tudo isso simultaneamente dependendo da situação.
Parar de escrever é uma delas; tanto parar quanto continuar. Aprendi com algumas pessoas que só é bom que escrevam aqueles que sabem escrever, e que, por serem tão numerosas as pessoas que sabem ler e escrever, um número excessivo dentre elas acha que sabe escrever, ou que está fazendo literatura, ou que vale alguma coisa mínima que seja. Aprendi que só têm valor as coisas escritas com muito conteúdo, muito denso e muito importante, que façam diferença não mínima, nem pequena, nem média, mas enorme, que sejam relevantes para os homens de hoje e do futuro; foi-me ensinado que menos que isso é inútil, ridículo e estúpido.
Isto me fez não escrever nada durante muitos meses, meses que se enfileiraram numa quantidade pequena de anos; mas, como anos são longos, esse tempo não é assim tão curto. Mesmo havendo quem gostasse de me ler, não houve mais o que pudessem ler, e deixei de escrever até mesmo o que eu mesmo fosse ler sozinho.
Ainda que o silêncio seja coisa muito valiosa, sei que não escrever nada tem também uma dimensão de inutilidade. Ficar sem falar nada pode ser ridículo. Mesmo que a alternativa seja mudar de assunto ou dizer algo inteiramente desconectado.
Digam que se escreve muita bobagem. Mas não digam que não é para escrever. Ou, no mínimo, abstenham-se de dizer aos outros como devem usar seu tempo. Sim, eu estou mandando. Devo estar.
Que bom que voltou a escrever, é bom poder te ler ^^
Muito obrigado, Débora, venha sempre : >)